Procura-se-capítulo 5 : Lembranças que não são suas.
(Por : Renata Cezimbra)
__Cheguei em casa debaixo de uma tremenda chuva depois de 10 minutos e imaginando como uma vampira podia perder a memória, eu ainda estava sem acreditar, mas qualquer pista, por mais absurda que ela fosse, era melhor que nada.
__Depois de cumprimentar meus familiares, subi pro meu quarto e me tranquei lá pra refletir no que fazer, quando de repente, alguém disse:
- Ora Patty, o que você andou fazendo o dia todo que não te encontrei?
- Que susto Fernandes! Custava você dizer que estava aí?! - exclamei.
- Calma Patty, vim aqui no meio da tarde te procurar e seu pai disse que você não estava em casa, então fiquei pendurado no teto esperando você chegar. - respondeu ele rindo.
__Não disse mais nada e perguntei o que ele queria e ele me respondeu:
- Quero saber o que você foi fazer hoje à tarde no hotel, que eu saiba uma moça da sua classe não costuma aparecer num lugar como aquele. - respondeu ele sério. Fiquei sem falar durante minutos, quando ele me cutucou:
- Você não quer responder ou o gato comeu sua língua?
- É que se eu responder, você vai achar que estou doida. - falei receosa.
- Fale a verdade apenas. - disse Fernandes sério.
__Contei tudo o que acontecera comigo desde o encontro com Guiomar no restaurante até a minha ida no hotel induzida por um pensamento e aí foi ele que ficou mudo durante minutos até que eu cutuquei ele:
- Agora foi a sua língua que o gato comeu?
- Patty, você tem certeza do que me contou? - perguntou ele de forma espantada.
- Por que você acha que Guiomar mentiria? Eu acho que ela não diria isso à toa. - respondi sentando perto do vampiro loiro.
- Só que tem um detalhe Patty, esse tipo de coisa com um vampiro é praticamente impossível e além disso, essa coisa que passou com você na hora em que você ia pra casa também é muito estranha. - disse ele me observando com olhar misterioso.
__Contei pra ele sobre o que o Mercúrio me disse e ele me olhou de modo misterioso outra vez, dizendo:
- É estranho você ter esse tipo de "premonição", que eu saiba só vampiros possuem essas coisas, a não ser que você tenha poderes paranormais.
- Até parece, acho que deve ter sido uma coincidência isso que me aconteceu, pra que eu achasse essa pista, se é que ela te serve pra alguma coisa. - falei não acreditando no que ele me dissera.
- Se eu não consigo detectar Xica, é porque ela realmente está desmemoriada. Só que há uma coisa: o que pode ter acontecido pra ela ficar assim? Que eu lembre, quando fugimos e nos perdemos um do outro, ela não levou nenhuma batida mais forte na cabeça. - falou ele, tentando criar alguma hipótese.
- Acho que se você me contar o que aconteceu com vocês dois, ficará mais fácil da gente construir uma hipótese. - falei dando uma idéia.
- Pra mim é difícil lembrar de algo assim, foi horrível demais nossa separação! - exclamou ele em princípio de lágrimas.
- Compreendo. - falei percebendo que tipo de coisa ele me contaria.
__Ele contou que ele e Xica viviam em Bordéus em 1875, chupando sangue de bandidos e pessoas más, sem incomodar nenhuma das pessoas da cidade, ajudando-as quando elas precisavam e outras coisas.
__Um dia porém, aconteceu que um alguém falou para toda a população do lugar que eles faziam coisas abomináveis e que planejavam dominar a cidade, fazendo a população se insurgir contra eles, ir até a casa em que eles moravam e lá colocar tochas de fogo, fazendo eles acordarem completamente assustados e sair correndo pelos fundos na tentativa de fugir.
__Porém a casa já estava quase totalmente consumida pelo fogo e eles quase sufocados pela fumaça, com as roupas chamuscadas pelo fogo, quando o teto em chamas desabou diante deles, separando-os por um muro de fogo, o que fez Xica gritar:
- Vai logo meu amor, não quero que você morra aqui!
- Eu não vou sem você meu amor! - gritou ele.
- Vai meu amor, eu sei me virar sozinha! - gritou ela ainda mais alto.
__Ele não a ouviu e foi no meio das chamas tentar resgatá-la, porém um pedaço de madeira com fogo caiu sobre ele e ele perdeu os sentidos.
__Depois ele parou de falar e começou a chorar sem parar.
__Fiquei muito triste ao vê-lo daquele jeito e falei:
- Sei que é difícil pra você relembrar isso que você passou, mas eu sinto que ela está viva, não sei como, mas sinto.
- Você não sabe como sinto falta da Xica, dos seus beijos, seus carinhos, sua bondade com o próximo em vários momentos, de tudo! -exclamou ele chorando abraçado comigo e colocando a cabeça no meu ombro.
__Não pude deixar de acarinhar os cabelos dele para consolá-lo e passei alguns minutos fazendo-o, quando meu irmão Alberto entrou no meu quarto e disse:
- Não sabia que estava consolando um amigo, desculpe.
- Pode falar o que você quer. - falei vendo que Fernandes tinha me soltado.
- Patty, tem umas garotas na sala querendo falar com você. - falou Alberto, olhando Fernandes com espanto.
__Olhei que Fernandes ainda chorava apoiado na minha escrivaninha e fui até a sala, deixando-o sozinho no quarto com sua dor.
__Quando desci na sala, vi a Mia, a Roberta e a Michele esperando pra falar comigo, falando muito envergonhada e ao mesmo tempo zangada,mas sem demonstrar:
- Boa noite amigas e me desculpem ter ido embora daquele jeito aquela hora, eu tinha que fazer umas coisas e por isso não pude ficar.
- É que queremos te convidar pra ver o próximo show, que vai começar daqui a meia hora, acho que você não vai se importar, né, pois o hotel é a 10 minutos daqui. Além disso, você não vai se importar de dormir um pouquinho mais tarde, não é? - disse a Mia, me convidando pra sair com ela e as meninas.
- Olha, eu até posso ir, mas um amigo meu está inconsolável lá em cima e não seria muito adequado deixá-lo desse jeito. - falei de modo educado, já que estava louca da vida por conta do trio aparecer justamente nessa hora, em que o Fernandes se debulhava em lágrimas lá em cima.
- Ah tá, desculpa a gente Patty, se nós soubéssemos que isso tava acontecendo, nem tínhamos vindo. - disse a Michele envergonhada.
- Vocês não tem culpa, vieram sem saber disso. - falei sorrindo.
- Tá bom Patty, a gente vem amanhã, espero que você possa. - disse Mia, sorrindo também.
- Tchau garotas. - falei vendo que elas saíam e se despediam.
__Fechei a porta com um suspiro de alívio escondido e subi para o meu quarto. Chegando lá em cima, vi o Fernandes de pé parado na sacada do dormitório com uma expressão carregada do mais puro e mortal ódio.
- O que está havendo com você? - perguntei um tanto apavorada.
- Simples Patty, as lembranças ruins vieram e estou com vontade de matar aqueles merdas dos seus vizinhos da frente, mas só não o faço por sua causa! - exclamou ele com suas presas à mostra.
__Sinceramente não conseguia entender o jeito dele, que se alternava entre momentos de imensa bondade e pura e cruel maldade, o que me deixava dividida entre confiar nele ou não. Não pensei mais nisso e perguntei, lembrando do que ele me contara sobre o incêndio:
- Como foi que você escapou de lá e não procurou Xica depois disso? - Fui resgatado pelo meu amigo fiel Linus, que veio a ser meu mordomo e quando perguntei por Xica, ele disse que ela estava morta. - respondeu Fernandes sério, mas com tristeza na voz.
- Mas você nunca pensou que ela pode estar viva? - perguntei.
- Pra ser sincero, nunca pensei nisso, pois meus poderes nunca mais a detectaram depois que nos separamos. - disse ele muito triste.
__Sinceramente fiquei um tanto daquela maneira, sem saber se acreditava nele ou não, mas percebi que ele falava a verdade, pois ele estava triste demais quando contou aquilo tudo. Então conversamos por mais um tempo até que eu resolvi dormir, já que eu tinha mais provas no outro dia.
__Então me despedi dele quando vi ele sair pela janela e me atirei na cama completamente cansada e pensando no que os próximos dias reservariam pra minha vida, que já estava mais do que de cabeça pra baixo.
__Não vou contar o que houve no outro dia, já que não ocorreu nada de importante nele e nem nos outros dias até o sábado da outra semana, quando aconteceu algo inesperado.
__Nestes quase 10 dias fiquei estudando, saindo com meus amigos, ficando com minha família, fazendo tudo o que mais gostava, aliviada porque Fernandes não tinha aparecido pra perturbar o Gonçalo e principalmente, tentando descobrir sobre Xica mais do que havia nos fichários do meu pai na tentativa de achar alguma pista que pudesse me ajudar.
__Foi com essa passagem de tempo que chegou um sábado que mudaria pra sempre o rumo desta história.
__Estava em casa lendo quando meu celular tocou e eu atendi, ouvindo a voz da Mia:
- Patinha, posso teconvidar pra ir no Sheraton comigo ver o show do Namor?
- Sabe Mia, eu tô sem nada pra fazer, então você vem me encontrar às 20 horas. Ah, e perguntando, as outras garotas vão também? - falei bastante alegre, já que estava disposta a ver o show que as garotas tanto falavam.
- Claro que vão ou você acha que elas iam deixar de ir porque já viram uma vez?! - disse ela rindo.
- Então tá combinado! - retribuí bem feliz.
__Me arrumei toda e cheguei a pensar em convidar a Mila, só que ela não gostava muito dessas coisas por ser muito envergonhada e como diziam meus colegas, donzela demais. Esperei durante 20 minutos até que vi um bando de 7 jovens se aglomerando no portão de casa, que vi como sendo meus colegas. Desci e disse aos meus pais e irmãos que ia sair, convidando minhas irmãs prair comigo, que aceitaram na mesma hora e fizeram meu pai dizer com aquele senso de super protetor:
- Cuidem-se meninas, não quero que vocês se machuquem, parem na polícia ou.....
- Deixa de ser bobo Mauro, elas já têm idade suficiente pra se cuidarem sozinhas e pra variar, elas não são loucas. - falou minha mãe rindo.
__Nós três saímos rindo e fomos cumprimentadas pelos meus colegas, quando o galinha da turma, o Miguel, falou:
- Rapaz, você sempre falava que tinha duas irmãs bonitas, mas nunca pensei que elas fossem tão gatas! Todo mundo riu e a Lia ficou vermelha, já que ela nunca tinha sido elogiada assim por nenhum garoto, enquanto a Mariana ficou com o ego inflado, sorrindo sem parar pro Miguel, que ficou dando corda pra ela enquanto a gente ia pro hotel, conversando e rindo pra caramba. Quando chegamos, o Miguel, o Lino e o Ângelo ficaram babando na frente do cartaz da Morgana, enquanto nós ficávamos admirando o cartaz de Namor, deslumbradas com a beleza dele, apesar de eu ter ficado um tanto cismada com a cara dele, pois ela me lembrava alguém e eu não tinha gostado nem um pouco daquela suspeita, pois ela ia na mais inesperada direção, uma que eu não queria seguir.
__Aquela cisma ficou comigo durante todo o tempo antes do show, tomou conta da minha mente até a hora em que a apresentadora anunciou a entrada de Namor no palco, fazendo as garotas gritarem enlouquecidas.
__ Quando ele começou o show de strip, as garotas deliravam com aquele homem de corpo musculoso e rosto bonito que tirava a roupa dançando sensualmente pra todo mundo ver. Só que quando ele me olhou, dançando com aquele sexy embalo, comecei a sentir uma terrível dor de cabeça, que parecia uma prensa pressionando minhas têmporas. De repente, desmaiei no meio do teatrodo hotel, o que deixou meus amigos e irmãs desesperados, tentando me acordar.
__Fiquei desacordada por 3 minutos até que despertei, vendo todo mundo na minha volta e a Estrela perguntando:
- Patty, o que houve com você amiga, tá bem?
__Olhei pra todos feliz por estar bem e viva, mas quando vi o stripper, comecei a gritar feito histérica:
- Pereira, fique longe de mim, fique longe!
__Todo mundo que tava ali me olhou enquanto eu, já de pé, olhava-o apavorada percebendo que um monte de pensamentos estranhos vinham na minha mente, coisas que não eram minhas, lembranças de uma casa com vários escravos, uma família de portugueses, uma mucama com um bebê quase branco, coisas desconexas que pareciam sem sentido se eu não tivesse visto uma cena de prisão por judaísmo causada por uma denúncia feita pela mulher com o bebê, o que me fez gritar apavorada:
- Maldito Teodoro Pereira, eu te odeio!
__Saí correndo de lá feito louca enquanto muita gente me olhava, achando que eu estava doida ou bêbada. Me tranquei no banheiro das mulheres e fiquei lá pensando no que tinha causado aquela reação tão inesperada, pois eu nunca tinha visto o cara até aquela hora.
__De repente, ouvi passos vindo em direção ao banheiro e um sotaque português com tom zangado, dizendo:
- Podemos conversar, macaca peruquenta?! Acho que nós temos contas a acertar, Xica da Silva!
- Não, eu não vou seu merda! - exclamei brava com o insulto e ao mesmo tempo apavorada com o tom de voz que ele usava, pois ele denunciava que não ia querer um não como resposta.
__Me escondi em um dos banheiros, porém, ouvi um barulhão: um pé arrombando a porta, seguido pelo mesma voz que eu ouvira antes, dizendo:
- Não pense que não lhe encontrarei, macaca! Quando te achar, vou te cravar uma estaca e decapitar-te, maldita que tanto humilhou a mim e minha família!
- Cacete, eu não posso deixar ele me encontrar! - pensei, tentando achar uma solução pro meu problema, que era grande demais.
__Quando vi que não havia mais nenhum barulho dele no banheiro, saí mais do que aliviada, pois ele não mais estava lá, porém de repente, eu fui agarrada por trás por dois braços fortes e ouvi aquela horrível voz de novo:
- Finalmente vou acabar com você sua vagabunda miserável, esperei por isso durante 200 anos!
- Não sou Xica, meu nome é Patrícia! - gritei na tentativa de fazer ele me soltar.
- Você não me engana macaca, apesar de admitir que você fala e se comporta melhor do que antes! - exclamou ele, que apertava cada vez mais meu pescoço, quase me sufocando.
__Senti que minha vida estava correndo um grande perigo e tentava me desvencilhar dos braços dele, mas não podia, pois ele, apesar de não ter braços de fisiculturista, era extremamente forte e não me soltava de forma alguma.
__Estava sendo arrastada para o jardim do hotel de forma brutal, quando ouvi um mega barulho de pancada e fui jogada bruscamente no chão.
__Quando vi, a Estrela estava com um bastão de baseball nas mãos e me disse:
- Eu vi quando ele foi atrás de você, percebi que algo estava errado e resolvi agir.
- Obrigada amiga, você me salvou. - falei abraçando a Estrela e quase chorando.
__De repente, quando íamos embora dali, ele pegou Estrela pelo pescoço e disse:
- Por sua insolência sua barata descascada, eu vou te matar!
- Não mesmo seu filho da puta! - exclamou alguém, que em seguida atirou uma estaca.
__Quando vimos ele se desviar super rápido da estaca e bater com a cabeça fortemente na parede, ficamos felizes ao ver Fernandes, apesar da Estrela ter ficado um tanto assustada ao ver aqueles dentes caninos pontudos se destacando na boca dele.
- Amiga, quem é esse vampiro?! - perguntou Estrela assustada.
- João Fernandes de Oliveira ao seu dispor Estrela e além disso, onde você achou esse bastão? - disse ele de forma cortês.
- Nossa, jamais pensei que um dia conheceria o contratador que entrou pra história de Minas Gerais, nem que ele fosse tão gato e respondendo sua pergunta Fernandes, peguei isso numa parede do corredor, estava servindo de enfeite. - falou ela sorrindo.
- Fernandes, ele vai ficar assim quanto tempo? - perguntei olhando o vampiro lusitano inconsciente no meu lado esquerdo.
- Até ele acordar, mas do jeito que ele escapou da estaca, ele vai ficar assim por um bom tempo. - respondeu ele rindo.
__Nós três saímos de lá e quando chegamos no saguão do hotel, fomos cercados por nossos amigos e a Mia exclamou:
- Ficamos preocupadas com o sumiço de vocês duas, chegamos a pensar que vocês tinham sido seqüestradas!
- Se você soubesse o que eu e a Patty descobrimos, vocês não tem idéia! - exclamou Estrela.
__Todo mundo ficou curioso, querendo saber o que acontecera e aí nós levamos todos pra ver o que ocorrera.
__Quando chegamos no corredor, vimos várias pessoas cercando Namor ainda desacordado e deitado numa maca e um homem de cabelos grisalhos, bem cortados e bigode se aproximou dizendo muito bravo:
- Quem foi que atacou ele, quem foi?!
- Fui eu, porque seu amigo atacou a minha amiga Patrícia! - exclamou Estrela.
- Vou prestar uma queixa por agressão contra você na polícia, sua barata nojenta. - gritou ele quase avançando na Estrela.
- Olha aqui seu merda, todo mundo aqui é muito unido e se você se aproximar da Estrela, nós vamos te encher de porrada! - exclamou Miguel completamente louco da vida.
- Calma pessoal, vamos tentar contornar a situação. - falou Roberta, apartando os ânimos dos garotos, que estavam bem exaltados.
__Fomos todos conversar num lugar mais tranqüilo, era pra ir eu, a Estrela e o senhor que xingara ela, só que todo mundo resolveu ir atrás pra ver como isso ia terminar. O homem, pelo que eu ficara sabendo, chamava-se Rudolph e era empresário de Namor e Morgana.
__Nos sentamos no camarim pra conversar e eu vi Morgana no banheiro tomando banho, sequer imaginando a confusão que tinha acontecido no corredor que ligava o teatro e o jardim.
- Então o empresário perguntou o que tinha acontecido pra que aquela confusão acontecesse e eu expliquei o que tinha acontecido desde que eu chegara no hotel e o cara me olhou apavorado, engolindo ar e dizendo:
- Como é que você sabe o nome dele?! Só eu conheço o segredo dele!
- Eu não sei como aquilo me aconteceu, só sei que houve aquela cena desagradável. - respondi em seguida perguntando séria:
- O segredo dele por acaso é vampirismo?
- Sim, meu Deus! Como foi que você descobriu? - disse ele quase sem voz.
- Porque todos que me confundem com Xica da Silva são assim. - respondi secamente.
- Que história é essa? - perguntaram Estrela e Rudolph ao mesmo tempo.
__Contei a eles tudo o que me acontecera desde o início até aqui, o que deixou os dois pra lá de espantados e os meus amigos e irmãs que ouviam do lado de fora simplesmente sem reação.
__Depois que chegamos num acordo, em que nós ficaríamos de boca fechada e ele não prestaria queixa contra a Estrela, saímos para ir embora e fomos abordados por todos que nos acompanhavam, que perguntaram se aquilo tudo que eu dissera era verdade ou se era apenas pra impressionar Rudolph.
__Não pude mentir pros meus amigos e disse que era tudo verdade, sendo que o Fernandes confirmou com todas as letras. Não entendi porque ele fez aquilo e perguntei à ele o motivo.
- Percebi que posso confiar nos seus amigos. - ele me respondeu sem rodeios.
__As meninas, exceto a Estrela, ficaram se olhando e os meninos riram, falando que aquilo era invenção minha só pra assustá-los, porém, Fernandes se mostrou de forma monstruosa pros garotos, o que deixou eles muito assustados: o Lino quase urinando nas calças, o Ângelo totalmente mudo e o Miguel com cara de quem não acreditou no que viu.
__As garotas todas, depois de ficarem assustadas, ficaram bem empolgadas, pois ele era o cara mais gato que elas já tinham visto.
__Resolvemos ir embora pra casa quando a Vick, toda oferecida, perguntou pra ele:
- Será que você não se importa de dar uma carona pra mim e pras minhas amigas? Estamos todas cansadas depois de toda essa confusão.
- Vick, a gente nem conhece ele direito, como que você faz isso?! -perguntou Roberta danada da vida com ela.
- Não me importo com isso, meu carro é bem grande e cabe todas vocês. - disse ele, nem notando que eu reparava que ele tava de olho nas coxas da Mia e no decote da Vick.
__Então todas nós aceitamos a carona e fomos até a garagem pra entrar no carro dele, ficando impressionadas com a Ferrari importada que tava no box 15 do lugar. A Mia disse sorrindo sem parar:
- Nossa, mas que luxo de transporte!
- Quem pode, pode, quem não pode se sacode. - disse Fernandes, ainda de olho nas coxas da Mia.
__Ela riu toda vermelha, enquanto nós todas entramos no carro e convidamos os meninos, que falaram que iam embora à pé, já que moravam perto, o que era verdade.
__Sentei na frente, as garotas atrás e aí Fernandes saiu do hotel com o carro e foi nos levar em nossas casas, enquanto a Mia comentava baixinho com as garotas:
- Como deve ser esse deus sem roupa?
- Pensa no Victor Wagner pelado na G Magazine. - falou a Vick sem rodeios pro Fernandes escutar.
__Ficava olhando as garotas conversando enquanto o Fernandes fingia que não estava nem aí, quando na verdade ele ria baixinho no volante, se sentindo o galã do momento.
__À medida que as garotas iam descendo do carro, escurecia cada vez mais. Depois que elas todas desceram do carro, ele me perguntou:
-Patty, como foi que começou a confusão lá no hotel? Acho que ele não confundiu você com a Xica apenas, algo mais ocorreu antes, vejo isso na sua expressão.
__Percebi que não podia mentir pro Fernandes e contei a verdade, mesmo que aquilo pudesse fazer ele ter uma brusca mudança de opinião, o que resultaria em algo que pra mim seria muito ruim.
__Ele não disse nada, o que me surpreendeu muito e nessa hora, vi que já estava na frente da minha casa e me despedi dele descendo do carro e imaginando o que ele estava pensando naquele momento, o que me deixava bem apavorada, pois certas coisas têm significados que não queremos acreditar.

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